Este site ultiliza cookies e outras tecnologias semelhantes para
melhorar a sua experiência em nossa plataforma. Você aceita
a politica de privacidade?
Rua São Paulo - Centro - CEP 84350-000 - Ortigueira - PR |42-32771388 021 42 98426- 5413
Nesta semana o munic?pio de Ortigueira foi destaque no caderno Folha Rural do jornal Folha de Londrina (06/11/2010), com uma mat?ria sobre o Programa de Piscicultura existente em nossa cidade.O munic?pio j? investiu R$ 300 mil este no programa e ? esperada a libera??o de mais R$ 2,5 milh?es do Minist?rio da Pesca e Aq?icultura para mais investimentos.Estes e outros dados voc? confere a seguir, na mat?ria de ?rika Zanon, com fotos de Marcos Zanutto. Os investimentos est?o para peixe Ortigueira
Um programa de piscicultura, implantado no in?cio de 2009, tem impulsionado a atividade rural e oferecido novas perspectivas de gera??o de renda em Ortigueira, regi?o central do Estado. O peixe est? no centro do projeto, que dever? integrar outras atividades, afirma Paulo Ant?nio Teixeira, coordenador do Programa Municipal de Piscicultura e Aquicultura, da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento de Ortigueira.
O projeto pretende estimular o aproveitamento integral do peixe, da carne ? pele e escamas. A ideia ? que produtores comercializem o peixe dentro da propriedade ou ainda encaminhe a produ??o at? um frigor?fico. Com os derivados, produzam artesanatos, bolsas, sand?lias, bijuterias. Existem muitas artes?s na cidade. Vamos promover a habilita??o delas para que possam manipular adequadamente os derivados do peixe, diz Teixeira.
O programa envolve v?rias etapas, entre elas a cria??o de uma cooperativa e a implanta??o de um frigor?fico. Conforme Teixeira, a prefeitura do munic?pio j? investiu R$ 300 mil este ano no programa. Al?m disso, j? foi aprovado um montante de R$ 2,5 milh?es pelo Minist?rio da Pesca e Aquicultura (MPA) para investimentos no projeto. Os primeiros recursos ser?o aplicados na primeira fase, a qual consiste em compra de maquin?rios, infraestrutura e capacita??o.
Segundo Teixeira, a parceria com o minist?rio tem sido poss?vel por conta do potencial do munic?pio, que conta atualmente com cerca de 1,2 mil tanques cavados com peixe. Por sua vez, segundo o MPA, em todo o Pa?s j? foram aplicados R$ 2 bilh?es no setor.
Em Ortigueira, a ades?o ao programa tem sido grande. At? o momento, cerca de 450 propriedades est?o cadastradas, envolvendo mais de 900 pessoas, com um objetivo em comum: melhorar a renda da fam?lia. O produtor Nelson Chagas, do S?tio Maring?, ? um dos que est?o ansiosos e animados com o projeto. Estou muito confiante, principalmente com a possibilidade de melhorar o or?amento da fam?lia, frisa o agricultor que atualmente produz leite e frango.
Chagas ressalta a expectativa em poder diversificar a atividade porque no inverno, principalmente, a produ??o de leite cai e ele e a fam?lia passam apertos financeiros. J? temos o tanque e sempre produzimos peixe, mas apenas para consumo pr?prio, conta o produtor, lembrando que na ?poca da P?scoa e do Natal sempre faz uma doa??o aos amigos.
Agora ? diferente. Al?m de come?ar a produzir comercialmente no tanque que j? existe no s?tio, pretende construir outros dois lagos at? o final do ano. A produ??o deve ficar concentrada com carpa, pac? e til?pia. Chagas tamb?m quer produzir alevinos. E a ra??o, que no momento vem de fora, dever? ser produzida organicamente dentro da propriedade. Eu j? tinha pensado em trabalhar com peixe, mas n?o tinha muito conhecimento sobre o assunto. Agora, vamos ter apoio t?cnico, inclusive, ent?o ser? diferente, acredita o produtor.
Potencial fomentou cria??o do programa
O potencial de Ortigueira para a produ??o de peixe e a necessidade de mais op?es de renda para o meio rural foram os pontos que impulsionaram a cria??o do Programa de Piscicultura Integrado. No munic?pio existem cerca de 1,2 tanques cavados entre 260 metros e 10 mil metros quadrados cada. Existiam os tanques mas n?o uma comercializa??o mais profissional. Era necess?rio fazer uma adequa??o nessa produ??o, avalia Paulo Ant?nio Teixeira, coordenador do programa.
A cidade, acrescenta Maria Jos? Oliveira Castro, conselheira do programa, ? muito pobre de oportunidades, ent?o esse projeto poder? ser a sa?da para muitos produtores. Aqui n?o tem f?bricas grandes que empregam. ? muito dif?cil gerar renda porque h? dificuldades em levar para fora do munic?pio a produ??o, refor?a Maria, contando que tamb?m ? agricultora e j? est? preparando uma ?rea em sua ch?cara para implantar um tanque e produzir peixe.
Teixeira revela que, em 2009, representantes do Minist?rio da Pesca e Aquicultura estiveram no munic?pio e constataram o potencial que h? para se produzir e comercializar peixes. Conforme o levantamento, a cidade tem condi?es de produzir at? 10 mil quilos de peixe por m?s. Com a participa??o dos munic?pios ao redor pode-se alcan?ar o dobro disso.
Para chegar a essa produ??o, contudo, a previs?o ? instalar cerca de 700 tanques redes at? o final de 2011, somando quase 2 mil tanques em Ortigueira. Entre as principais esp?cies produzidas no momento est?o dourado, truta, carpa, til?pia e tambaqui.
Agricultoras e artes?s passam por capacita??o
Para manipular adequadamente a pele e as escamas do peixe, agricultoras e artes?s de Ortigueira e munic?pios vizinhos v?o passar por treinamento. A produtora Mary Castro Resende, coordenadora de 25 grupos de mulheres artes?s de Ortigueira, conta que ser? escolhida uma representante de cada grupo para fazer o curso - que acontece em outra cidade e tem um custo alto -, as quais ficar?o respons?veis por multiplicar o que aprenderam ?s outras mulheres.
A expectativa ? muito grande, percebemos que aliar a produ??o de peixe com o artesanato vai dar muito certo, ressalta Mary, destacando que os restos dos peixes que n?o forem utilizados como alimento ou artesanato ser?o destinados para a produ??o de ra??o. Queremos aproveitar tudo do peixe.
Raquel Aparecida Cionek, de Curi?va, cidade vizinha a Ortigueira, est? feliz com a possibilidade de atuar em duas atividades que gosta muito: a piscicultura e o artesanato. Ela conta que est? instalando cinco tanques no s?tio e j? est? se preparando para fazer o curso e aprender a manipular os derivados do peixe. Eu adoro fazer artesanato. Agora terei a possibilidade de utilizar mais materiais e fazer coisas diferentes, destaca.
Neusa Oliveira, artes? h? mais de 20 anos, tamb?m v? no Programa Integrado de Piscicultura uma maneira de ampliar seu trabalho e melhorar a renda. Com a pele e a escama do peixe terei mais op?es para construir minhas pe?as, para enfeitar bolsas, bijuterias, observa a artes?. Ela conta que pretende fazer o curso porque o material (peles e escamas) exige tratamento diferenciado. E a mat?ria-prima n?o ? barata. E d? para fazer acabamentos bem bacanas, ressalta Neusa, frisando que por enquanto compra a mat?ria-prima de atravessadores, mas no futuro poder? adquiri-la direto de produtores.
Curi?va
A secret?ria de Agricultura de Curi?va, Leamar Regina Brancalh?o, conta que o munic?pio est? pegando carona no programa de Ortigueira por se tratar de uma ideia muito interessante. Curi?va tamb?m tem potencial para implantar tanques e produzir peixes por conta do n?mero de nascentes, frisa. Ela revela que o munic?pio j? est? fazendo a triagem dos produtores interessados. A procura tem sido grande. Vamos come?ar a buscar recursos para fortalecer o projeto. Queremos dar uma destina??o eficiente para a produ??o, acrescenta, afirmando que pretende estimular o artesanato. J? vi bolsas maravilhosas e car?ssimas com pele de til?pia, exemplifica.
Pesqueiro e restaurante para melhorar a renda
Dentro do Programa de Piscicultura Integrado, o casal de produtores Tadeu e Celina Banach est? apostando em duas frentes: a cria??o de um pesque-pague e de um restaurante. A gente continua trabalhando na cidade durante a semana e aos finais de semana abrimos o pesque-pague e o restaurante para o p?blico, conta Banach, que atua na ?rea da constru??o civil.
Por enquanto, segundo Celina, eles oferecem apenas por?es de peixes fritos ou sashimi e tamb?m almo?o aos domingos. O movimento ainda n?o ? muito grande. Mas acredito que com o programa a gente ter? um progresso, pois precisamos de apoio, de assist?ncia t?cnica para crescer e teremos isso por meio do projeto, comenta a produtora.
Banach torce para que o projeto de piscicultura instalado em Ortigueira d? certo porque ele gosta da atividade e pretende deixar de trabalhar na cidade. Gosto de ficar aqui no s?tio, de receber as pessoas, ensin?-las a pescar, revela. E Celina j? avisou que se o programa realmente for para a frente, al?m de tomar conta da cozinha do pesque-pague vai fazer o curso de artesanato para aprender a lidar com a pele do peixe.
Produ??o do Paran? deve chegar a 50 mil toneladas
Em 2010, a produ??o de pescado no Paran? dever? alcan?ar as 50 mil toneladas. O volume, segundo a superintend?ncia regional do Minist?rio da Pesca e Aquicultura (MPA) no Paran?, ? quase o dobro de 2007, quando a produ??o somou 22 mil toneladas. O Estado tem obtido crescimento de quase 10 mil quilos por ano. Conforme o MPA, em 2008 foram 30 mil toneladas e, em 2009, 40 mil toneladas.
S?o n?meros significativos, que mostram o quanto a atividade est? crescendo no Estado. E isso se deve aos investimentos do governo para o setor, afirma Jos? Wigineski, superintendente do minist?rio no Paran?. De acordo com ele, nos ?ltimos anos, o setor tem obtido cr?dito mais facilitado. O piscicultor, acrescenta ele, tem hoje todo o cr?dito que um agricultor tradicional tem e isso tem ajudado a alavancar o setor.
Este ano, informa Wigineski, o governo liberou R$ 16 bilh?es pelo Pronaf no Pa?s. O setor de pesca e aquicultura absorveu R$ 2 bilh?es. No Estado, o superintendente anuncia que o ?rg?o acabou de assinar conv?nio de R$ 2 milh?es com a Emater para a contrata??o de 10 t?cnicos especialistas na ?rea, os quais prestar?o assist?ncia t?cnica aos produtores de todo o Estado.
Al?m disso, em fevereiro desse ano, o minist?rio liberou recursos na ordem de R$ 2,6 milh?es para o desenvolvimento da atividade na bacia do Paranapanema. O conv?nio foi em parceria com a Universidade Federal do Paran?. A ideia ? fazer um estudo da viabilidade do parque e das ?reas de aquicultura nas represas. A regi?o, segundo Wigineski, tem potencial para produzir 90 mil toneladas de peixe anualmente.
O minist?rio tamb?m pretende colaborar com o escoamento da produ??o. No Paran?, tem investido na implanta??o de dois frigor?ficos. O de Alvorada do Sul recebeu recursos na ordem de R$ 1,3 milh?o e deve ficar pronto at? o final do ano. O de Corn?lio Proc?pio, com investimentos pr?ximos de R$ 2 milh?es, deve ficar pronto no in?cio de 2011.
Wigineski afirma que os investimentos levam em conta a demanda do mercado. Segundo ele, o consumo passou de 6 quilos per capita no in?cio da d?cada para 9 quilos per capita em 2009. A popula??o tem consumido mais pescado e isso estimula a produ??o.
Brasil
A produ??o brasileira de pescado aumentou 25% nos ?ltimos oito anos passando de 990.899 toneladas anuais para 1.240.813 no ano passado. Somente nos ?ltimos dois anos, houve um crescimento de 15,7%, conforme os dados estat?sticos do MPA de 2008 e 2009, sendo que a aquicultura apresentou uma eleva??o 43,8%, passando de 289.050 toneladas/ano para 415.649 toneladas/ano.
A produ??o da pesca extrativa, tanto mar?tima quanto continental (rios, lagos, etc) passou no mesmo per?odo de 783.176 toneladas para 825.164 toneladas/ano no mesmo per?odo, um aumento em torno de 5,4%. At? 2011, a expectativa do Minist?rio da Pesca e Aquicultura ? de que a produ??o total de pescado atinja a meta de 1,43 milh?o de toneladas.
O Nordeste, de acordo com os dados de 2009, ? a maior regi?o produtora de pescado do Brasil com 411 mil toneladas/ano, seguida da regi?o Sul, com 316 mil/ano. Santa Catarina ? o maior produtor entre os estados, com 207 mil toneladas/ano, seguida do Par?, com 136 mil toneladas. A Bahia, com 119 mil toneladas, ? o terceiro maior produtor nacional.
Reportagem: Erika Zanon
Fotos: Marcos Zanutto
Fonte: Folha de Londrina
[gallery link="file" orderby="ID"]