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Atualizada em 04/09/2015 17:18 - Agricultura Imprimir

Mel de Ortigueira é o primeiro produto do Paraná a receber denominação de origem

Qualificação da produção rural

Créditos fotográficos: Divulgação

O mel produzido em Ortigueira, na região central do Estado, é o primeiro produto paranaense a receber o registro de Denominação de Origem (DO). A concessão reconhece que as características físico-químicas do produto decorrem das condições botânicas da região, sendo diferenciado do mel produzido nos arredores. O registro consolida a estratégia do Sebrae/PR para o setor do agronegócio, com foco em produtos de diferenciação pela qualidade e tipicidade.


O registro de Indicação Geográfica (IG), na espécie Denominação de Origem (DO), para Ortigueira, foi conferido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), na última terça-feira, dia 1º de setembro, na Revista de Propriedade Industrial (RPI). A conquista é decorrente do Projeto Mel do Município de Ortigueira, iniciativa apoiada pelo Sebrae/PR e parceiros, como a Associação dos Produtores Ortigueirenses de Mel (Apomel), Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e Prefeitura de Ortigueira, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura.


“Em 2009, quando a proposta começou a ser desenvolvida em Ortigueira, as ações eram mais focadas na qualificação dos apicultores. O desafio era melhorar o processo de fabricação e extração do mel”, relembra o consultor do Sebrae/PR, Fabrício Bianchi. Posteriormente, foram realizadas análises da produção do mel em Ortigueira, no período de 2009 a 2011, para que o processo de produção pudesse ser melhor compreendido, já visando ao pedido junto ao INPI, que inicialmente, era para espécie Indicação de Procedência (IP).


“Como já tinha sido realizada a análise microbiológica, fisioquímica e sensorial do mel, fomos instruídos a buscar o registro de Denominação de Origem. Fizemos o pedido junto ao INPI em maio de 2013 e, um ano após, foram feitas algumas exigências pelo Instituto, que incluíam a apresentação de novos documentos e alguns novos detalhamentos. Todas as exigências foram cumpridas e, recentemente, foi conquistado o registro que garante a origem do mel e onde ele é produzido”, comemora Fabrício Bianchi.


Segundo o consultor do Sebrae/PR, o registro beneficia 45 apicultores de Ortigueira, responsáveis por aproximadamente 90% da produção local. “O processo de identificação geográfica visa não somente a obtenção de um selo. Ele mexe com toda a organização da cadeia produtiva, é um processo de convergência de interesses e de muitas conversas. A partir de agora, o desafio continua sendo grande, pois é necessário que o registro seja resguardado como outras Denominações de Origem que existem no País”, afirma Fabrício Bianchi, que esteve à frente do Projeto Mel do Município de Ortigueira até o final do ano passado.


Em 2015, o Projeto foi assumido pelo consultor do Sebrae/PR, Fernando Pizani, que é gestor regional de agronegócio e também destaca a participação e o envolvimento direto do engenheiro-agrônomo Henry Rosa, da Emater; e Wanderley Sartori do Carmo, da Secretaria de Agricultura de Ortigueira, nessa importante conquista. O trabalho, conforme ele, está focado, neste momento, na comercialização do mel, que é o maior desafio para os apicultores do município. Considerado o maior produtor de mel do País, com uma produção de 500 toneladas em 2014, a maior parte da produção de Ortigueira é vendida à granel.


“A ideia é processar e envasar o produto por meio da Unidade de Beneficiamento de Mel, que foi construída pela Apomel, para que o produto receba o selo no rótulo e ganhe mais valor no mercado”, explica o consultor Fernando, ao reforçar que o trabalho também se volta para o mercado internacional. Segundo ele, parte da comercialização do mel produzido em Ortigueira é vendida para empresas que beneficiam o produto e o restante para pessoas que intermediam o processo de venda para empresas. “Nosso objetivo é que o produto seja processado e envasado na Unidade de Beneficiamento do Mel, porque isso vai agregar mais valor ao produto.”


É o que também espera a presidente da Apomel, Ana Mozuski Kutz, que está no comando das atividades há oito anos. “A concessão do registro é a realização de um processo longo e que pode abrir mercado para nossos associados. O envolvimento dos parceiros foi fundamental em todo o processo”, comenta ela, ao citar que uma das ações da Apomel inclui o início das atividades da Unidade de Beneficiamento de Mel, cujos recursos para a obra foram repassados pela Usina Hidrelétrica Mauá, como indenização coletiva aos apicultores que desenvolviam atividades na área do empreendimento.


“Além do valor da indenização, que foi utilizado para a construção da Unidade, conseguimos angariar recursos na ordem de R$ 340 mil através do Projeto ProRural. O montante será utilizado  na aquisição de equipamentos para a Unidade e esperamos  iniciar as atividades o quanto antes”, comemora a presidente da Associação. Além de focar as ações para a comercialização do mel de Ortigueira, o Sebrae/PR mantém, paralelamente, a assistência aos apicultores por meio do Centro de Transferência de Tecnologia, com a realização de cursos e capacitações, visando ao aumento da produtividade e efetividade da produção, com a melhoria do mel extraído.

 

Diferenciação no mercado


Para o diretor de Operações do Sebrae/PR, Julio Cezar Agostini, o registro de Indicação Geográfica (IG), na espécie Denominação de Origem (DO), para o mel de Ortigueira, atribui ao apicultor a diferenciação de mercado. “Cada vez mais o produto será conhecido e reconhecido pelo público consumidor pela sua qualidade e pelo seu diferencial de qualidade. Isso fará com que os pequenos produtores tenham mais renda em longo prazo e, provavelmente, a produção será melhor remunerada no mercado”, comenta Julio Agostini.


Além do projeto em Ortigueira, o Sebrae/PR tem outras frentes de trabalho. Julio Agostini cita o Projeto dos Cafés Especiais, iniciativa do Sebrae/PR, da Associação dos Cafés Especiais do Norte Pioneiro do Paraná (Acenpp) e parceiros, voltado para elevar a rentabilidade dos produtores por meio de cafés com qualidade diferenciada. O projeto Cafés Especiais do Norte Pioneiro foi a primeira Indicação Geográfica (IG) do Paraná e atua com base em quatro pilares, que são o associativismo, produção, rastreabilidade e mercado.


Dentre os produtos paranaenses que buscam a IG estão a uva de Marialva; o mel do Lago de Itaipu; o melado de Capanema; os queijos de Witmarsum; a goiaba de Carlópolis; a erva-mate de São Mateus do Sul; a farinha de mandioca, a cachaça, os derivados de banana e o barreado, estes do litoral paranaense. “São projetos desenvolvidos para valorizar os produtos junto ao mercado fazendo com que os pequenos produtores tenham mais renda e mais qualidade de vida”, explica Agostini.


Já o gerente regional do Sebrae/PR no centro do Estado, Joel Franzim Junior, acredita que a obtenção do registro torna o Paraná referência nacional. “O registro é muito importante para a nossa região, pois mostra que com trabalho bem orientado, com um grupo de empresários dispostos a investir e parceiros comprometidos, é possível ter um novo posicionamento no mercado, incrementando a competitividade e o faturamento. Com o registro, o Sebrae/PR em uma nova fase do projeto, focando firmemente nas questões mercadológicas”, conclui.


Há seis anos na atividade, o apicultor Roberto Vilevski já planeja dobrar o volume de colmeias visando aumentar o leque de clientes. Para ele, o trabalho desenvolvido pelos parceiros envolvidos no Projeto Mel do Município de Ortigueira foi fundamental para assimilar novas técnicas da profissão. “Tivemos muitos profissionais nos acompanhando nos últimos anos, o que foi muito importante para o nosso aprendizado. Esperamos que mais avanços ocorram para a apicultura com a obtenção do registro”, diz.

 

Mais notoriedade


Para Andreia Claudino, coordenadora estadual de Agronegócios, Alimentos e Bebidas do Sebrae/PR, a obtenção do registro de Denominação de Origem do Mel de Ortigueira posiciona o Paraná como um importante ‘ator’, não somente em produção, mas em história e notoriedade. “O registro demonstra que o Estado, na localidade de Ortigueira, tem um ambiente favorável para a produção do mel, com características genuínas. Isso faz com que tenhamos um posicionamento diferenciado na cadeia produtiva”, explica.


O desafio, a partir da obtenção do registro, conforme Andreia Claudino, é focar as ações na área de marketing e no acesso ao mercado. “A obtenção de registros e certificações são formas de agregar valor a determinados produtos. É uma maneira de apoiar e promover os pequenos negócios rurais para que eles consigam ter diferenciação e acessar o mercado de maneira única e particular”, reforça.


A prefeita de Ortigueira, Lourdes Banach, também enaltece o resultado da obtenção do registro. “Estamos investindo e apoiando projetos que reflitam no desenvolvimento local. Certamente, Ortigueira terá destaque nacional e internacional dentro da cadeia produtiva. É um avanço e nos dá ainda mais ânimo para continuarmos investindo no Município”, comemora.


Modalidades


O registro de IG permite delimitar uma área geográfica, restringindo o uso de seu nome aos produtores e prestadores de serviços da região, em geral, organizados em entidades representativas.


A espécie de IG chamada “denominação de origem” reconhece o nome de um país, cidade ou região cujo produto ou serviço tem certas características específicas graças a seu meio geográfico, incluídos fatores naturais e humanos.


Já a espécie “indicação de procedência” se refere ao nome de um país, cidade ou região conhecido como centro de extração, produção ou fabricação de determinado produto ou de prestação de determinado serviço.

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